José Roberto Nasser

1946 - 2018

 

 Advogado e um dos mais antigos e importantes jornalistas de veículos brasileiros. Foi um dos fundadores e o primeiro presidente da Federação Brasileira de Veículos Antigos (FBVA) o qual ocupou durante dois mandatos além de fundador do Museu do Automóvel de Brasília.
 Nasser propôs a criação da placa preta como categoria de  veículos colecionáveis. que permite a importação de veículos antigos com mais de 30 anos e a que isenta o pagamento de IPVA para os veículos com mais de 20 anos, além de escrever a  coluna “De Carro Por Aí”, que era publicada em inúmeros jornais e sites.
 Nascido no Rio de Janeiro, Nasser se declarava brasiliense por convicção.
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Uma perfeita combinação semita, “Turco Veloz” e “Judeu a Jato”, era assim que a gente se chamava um ao outro. Mais de 50 anos de uma amizade fraternal com várias paixões em comum: as pistas, o carro antigo, o jornalismo especializado. Um dos raros com quem eu alinhava ideias, críticas e opiniões sobre (e contra...) o setor.
Fizemos juntos a “Mille Miglia” na Itália, com um Mercedes 1955. E o “London to Brighton” num Peugeot 1901. Além de dezenas de outras viagens – profissionais e lazer – vinculadas aos clássicos.
Ele se foi, mas está presente em cada carro antigo que tenha a placa preta: foi ele o autor da lei que a criou. E de outra que permitiu sua importação. E no museu que montou em Brasília dedicado ao carro brasileiro. Ninguém fez mais pelo antigomobilismo no Brasil. Fez tanto que veio dele a ideia para se criar a palavra que define esta nossa grande paixão.

 

Boris Feldman - jornalista automotivo
"Roberto Nasser (José Roberto Nasser da Silva) foi um dos pioneiros do jornalismo especializado, apaixonado pelo que fazia e escrevia. Começamos praticamente juntos há 51 amos e o conheci menos de um ano depois. Então, foi meio século de convivência próxima e muitas trocas de ideias, cada um com seu estilo.
Sua memória sobre fatos e acontecimentos era prodigiosa, muito melhor que a média dos colegas de profissão. A paixão fervorosa pelo antigomobilismo o fez lutar pela adoção da placa preta, uma de suas grandes vitórias pessoais. Fundou o Museu Nacional do Automóvel, em Brasília, com um acervo pessoal de raridades mecânicas e de literatura pertinente.
Sua última e longa batalha foi tentar encontrar um novo local para o museu, mas não precisaria continuar: esta semana o Ministério dos Transportes, com a mudança de governo, lhe acenou continuar com o prédio para abrigar e expor seu acervo. Mas ele não viveu para ver seu museu reaberto."

 

Fernando Calmon - AUTOMOTIVE BUSINESS -09/11/2018

"Em 1960, saindo da adolescência, conheci o Nasser. Ele tinha 16 anos e eu, 20. Foi num posto de combustíveis em Ipanema, no Rio de Janeiro, onde a turma que curtia carro se reunia todas as noites. Logo lhe dei atenção, vi que era perspicaz e inteligente. Nosso contato começou aí e não parou mais. Mudei-me para São Paulo, ele mais tarde, para Brasília, e passamos a ser colegas de profissão, o que me dava orgulho — que tenho até hoje e que terei para sempre.
O Nasser era a síntese do jornalista automobilístico perfeito: conhecia a história do automóvel como ninguém, sua técnica, dirigia com habilidade de piloto e era um mestre na escrita. Não tem substituto."
Bob Sharp-AUTOMOTIVE BUSINESS -09/11/2018